Prestação de contas sobre intervenção no transporte coletivo marca Reunião Ordinária da Câmara

Inversão de pauta permitiu detalhamento financeiro e operacional após colapso no sistema; reunião também teve pedido de vistas em veto ambiental

Publicado em: 05/08/2026

Prestação de contas sobre intervenção no transporte coletivo marca Reunião Ordinária da Câmara

A 27ª Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Sete Lagoas, realizada nesta terça-feira (04), foi marcada pela prestação de contas sobre a intervenção municipal no transporte coletivo urbano. A apresentação, requerida previamente pelos parlamentares, reuniu informações técnicas e financeiras sobre a intervenção.

Embora o secretário titular da pasta, Waldeir Pimenta, permanecesse sob observação médica, a explanação foi conduzida por equipe designada para o processo, composta pela secretária municipal de Mobilidade Urbana interina, Dra. Fernanda Mariele Fonseca Neves; pelo secretário adjunto de Administração e interventor do sistema, Charles Generoso Baracho; pela procuradora-geral do Município, Dra. Fabiana Abreu da Silva; além do corpo técnico de apoio.

Para priorizar o debate sobre o transporte, o presidente da Casa, vereador Ivan Luiz (PDT), colocou em votação a inversão da pauta antes das deliberações regimentais. "A inversão de pauta se deu em razão da complexidade do tema. É um assunto complexo que não se exaure com respostas simples. Recebemos um volume significativo de documentos para análise", justificou Ivan Luiz, ressaltando que a matéria voltará a ser debatida em uma reunião especial dedicada exclusivamente ao tema.

Balanço da intervenção e transição do sistema

O interventor Charles Generoso Baracho detalhou o panorama do período de intervenção total no transporte público, após a paralisação do transporte coletivo registrada em 9 de junho. “A intervenção total foi necessária devido à paralisação que a Turi provocou no sistema de transporte coletivo de Sete Lagoas. Promovemos uma intervenção parcial de 25 de maio até o dia 9 de junho, quando ocorreu a paralisação total, o que obrigou o município a decretar essa medida extrema. Nós literalmente assumimos a gestão interna da empresa Turi, operamos o sistema, abrimos contas bancárias e fizemos repasses importantes, principalmente para a cooperativa Cooperseltta, que até então não tinha acesso a esses valores e estava prejudicada”, justificou o interventor.

Entre os dados financeiros apresentados referentes ao período de 10 de junho a 20 de julho de 2026, destacam-se:

●    Receita apurada: R$ 5.346.024,18

●    Saldo inicial: R$ 125.931,41

●    Pessoal (salários e encargos): R$ 2.696.151,08

●    Combustível: R$ 770.846,00

●    Judicial: R$ 692.510,53

●    Administrativo: R$ 477.602,77

●    Repasse: R$ 444.082,21

●    Manutenção: R$ 283.429,71

●    Outros: R$ 68.774,77

●    Impostos: R$ 46.834,70

●    Consumo: R$ 6.661,60

●    Aplicação financeira: R$ 1.984.872,66

●    Resgate financeiro: R$ 1.949.632,76

●    Transferências efetuadas: R$ 7.004.534,38

Durante os 40 dias de gestão direta exercida pelo Município, a intervenção garantiu a abertura de contas operacionais, o pagamento de salários e proventos atrasados dos colaboradores e o repasse financeiro à cooperativa Cooperseltta, até então desassistida no rateio das tarifas.

Atualmente, a intervenção passou para uma fase parcial, com foco no controle da bilhetagem eletrônica e na gestão da câmara de compensação financeira pelo Poder Público. Baracho destacou que o processo caminha para a municipalização da gestão da bilhetagem. “Colocamos a frota para rodar e, principalmente, garantimos todos os direitos dos colaboradores da Turi. Os salários foram pagos, inclusive os atrasados, e, o mais importante: a população de Sete Lagoas pôde novamente utilizar os serviços de forma tranquila e ter a certeza de que o transporte público coletivo estaria à sua disposição”, evidenciou Baracho.

Trancamento de pauta por pedido de vistas

Após o encerramento da prestação de contas, a Ordem do Dia foi aberta para apreciação de projetos. Contudo, o vereador Rodrigo Braga (MDB) solicitou pedido de vistas no Veto Parcial do Executivo ao Projeto de Lei Ordinária Nº 1048/2025, que proíbe a soltura de balões ou bexigas em Áreas de Proteção Ambiental (APAs) do município.

Com o pedido de vistas concedido para análise detalhada do texto, a pauta da Casa ficou regimentalmente trancada. O veto retornará à votação na próxima Reunião Ordinária, agendada para a próxima terça-feira (11).

Serviço:

A íntegra da prestação de contas da intervenção no transporte coletivo, realizada na 27ª Reunião Ordinária, está disponível no canal oficial da Câmara Municipal de Sete Lagoas no YouTube.